quarta-feira, 29 de setembro de 2010

DEXTER

Dexter: O Anti-herói...

Estreiou no Dia 26 de Setembro nos Estados Unidos a Quinta e provavelmente mais explosiva temporada da série mais foda dos últimos anos da TV Norte-americana: DEXTER.
O Anti-herói mais sombrio e boa praça dos últimos tempos na TV.
Dexter surgiu em 2006 no canal de TV fechada Showtime.
A série é baseada no livro Darkly Dreaming Dexter, de Jeff Lindsay.
Dexter Morgan (Michael C. Hall na sua melhor interpretação, melhor ator de drama no Globo de Ouro 2010) é um Especialista Forense em análises sanguíneas do Departamento de Polícia de Miami. Essa é pelo menos é a sua função durante o dia.
Durante a noite ele se torna o justiceiro que mata de forma impiedosa bandidos que conseguem se livrar da cadeia por falhas da justiça.


1ª TEMPORADA

Quando criança, Dexter descobriu que tinha compulsão por matar. Filho de um Policial, Harry , este o ensina a controlar seus impulsos homicidas, primeiro o ensinando a matar apenas pequenos animais e no decorrer de sua vida apenas criminosos, tudo regido por um rígido código de conduta.

Mesmo sendo um assassino frio Dexter precisa se passar por um ser humano normal, precisando a todo tempo dissimular sentimentos que não possui e encontra na fragilidade da sua namorada Rita (A linda Julie Benz) e em sua família o lugar perfeito para seu disfarce.
No Departamento de Policia é o tipo boa praça, amigo de todos e tem na irmã Deb (Jennifer Leann Carpenter de "O Exorcismo de Emily Rose") a aura de irmão protetor e conselheiro.

 

A linha tênue que separa a realidade do mundo que  criou e do mundo que "o criou" o persegue durante toda a primeira temporada, quando descobre a verdade sobre seu pai, sua verdadeira família e a origem do seu impulso por matar, quando viu ainda bêbê a  própria mãe ser morta num container e ficar lá dias a fio em meio a todo aquele sangue até ser encontrado pelo seu pai adotivo Harry, que mesmo depois de morto ainda aparece pra ele, representando sua consciência. .
Surge ainda o fascínio por um serial Killer (O Assasino do caminhão de gêlo) que a cada corpo deixado para trás deixa uma pista sobre seu passado.

2ª TEMPORADA

No final da primeira temporada o "cimitério" deixado para trás por Dexter é descoberto, fazendo com que a polícia tenha agora um novo serial killer como alvo para capturar. O Açougueiro de Bay Harbor.
A sua máscara antes inperceptível, passar a ser desvendada pelo Sargento James Doakes (Erik King, o Moisés da série "Oz") que passa a persegui-lo.
Em meio a perseguição do sargento e do Departamento, Dexter tenta entender e controlar seus impulsos e encontra em Lila a redenção para seus segredos. Alguém que o viu da forma que ele verdadeiramente é, e mesmo assim não fugiu.
Mas com o tempo o fascínio se torna obsessão, e em meios a tantas perseguições Dexter descobre verdades sobre Harry que o fazem contestar o código que ele criou e até onde pode chegar para manter seu disfarçe.



3ª TEMPORADA 


Dexter começa a Terceira temporada fazendo o que saber fazer de melhor: Matar!!!
Mas o que aconteceria se Dexter ferisse o seu código de conduta matando um inocente? Na tentativa de mais um assassinato Dexter presencia uma briga entre Frebbo e um outro homem que acaba sendo morto por Dexter.
Chegou a hora de Dexter dar mais um passo a sua humanidade com o sentimento de culpa e remorso por essa morte.

Para complicar ainda mais a situação  o homem morto é irmão mais novo de um grande promotor de Justiça, Miguel Prado, ex-caso da Tenente do Departamento Maria Laguerta (Lauren Vélez, a Doutora Nathan de "Oz").



Frustrado pela impunidade da morte do irmão, Miguel Prado decide investigar o assassinato por conta própria.
Tentando tirar o promotor da sua cola, Dexter decide matar Frebbo, só não contava estar sendo seguido por Miguel Prado.
 Vendo a morte de Frebbo como um ato de agradecimento e justiça não como um assassinato a sangue frio , Miguel Prado acaba despertando um estranho fascínio por Dexter e  uma estranha amizade surge entre os dois.

Mas junto com a amizade surge a inveja do irmão mais novo de  Miguel, Ramon Prado, que desconfia do envolvimento de Dexter na morte do irmão mais novo.

Dexter dá mais um passo a sua humanidade encontrando pela primeira vez um amigo e também ao descobrir que ao contrário do que fez durante toda sua vida, dessa vez não dará fim a uma vida, mas dará origem a uma...
O que parecia ser uma simples amizade vai tomando contornos macabros quando Miguel Prado propõe a Dexter uma parceria em novos assassinatos.
Assim como Dexter Miguel Prado deseja matar apenas assassinos, até Dexter descobrir que Miguel Prado decidiu agir sozinho, matando uma juíza que poderia condená-lo.
Sentindo-se traído Dexter parte ao encontro de Miguel Prado e novas revelações são feitas desencadeando fatos surpreendentes e desastrosos no final dessa explosiva 3ª Temporada.






4º TEMPORADA


"Vou te Contar um segredo: papai mata pessoas".
Ao contrário da maioria dos pais, Dexter não conta histórias de ninar ou conto de fadas para seu filho dormir. Essa é a história que Dexter conta a noite ao seu filho recém-nascido.
Essa é a nova rotina de Dexter: Perito Criminal, Serial- killer e agora pai.

Se antigamente os dois mundos em que Dexter vive se contrastavam, agora as coisas só pioram. Mais um serial killer surge em Miami, o Trinity (John Ligthgow, grande vilão do diretor Brian De Palma).
Trinity é um assassino que de tempos em tempos comete uma série de 3 mortes que aparentemente não possuem ligações.
Dexter passa a seguir os seus passos , até descobrir que Trinity assim como ele tem uma vida paralela a vida de assassino. Aparentemente um pai de família dedicado, cidadão de bem e (pasmen) cristão.

Passando-se por um homem que está perdido na vida e precisando de ajuda Dexter passa a fazer parte do dia-a-dia família de Trinity, percebendo que nem tudo é tão perfeito quanto parecia.
Com uma "nova família" Dexter acaba ausentando-se de casa, o que acaba gerando um iníco de caso extraconjulgal de Rita.

Dexter tem a chance dematar Trinity, mas deseja antes aprender  como ele consegue manter durante tanto tempo e de forma tão sigilosa os seus segredos e instintos longe da sua família.
Trinity descobre que Dexter o está engando e passa a persegui-lo indo até o Departamento de Polícia.



Dexter decide então terminar o seu serviço.
Só não esperava após o assassinato de Trinity encontrar Rita morta na banheira de sua casa e seu filho, assim como ele quando bêbê,  sentando numa pôça de sangue da própria mãe,  algo que deixou os fãs sem palavras e ansiosos pela chegada da Quinta Temporada.
O Ponto negativo ficou por conta do diagnóstico de câncer do ator Michael C. Hal...





5º TEMPORADA

A Quinta Temporada de Dexter ja começa com o nosso Anti-herói mais uma vez como suspeito de um crime ao ser encontrado pela polícia em frente de casa com seu filho cheio de sangue nos braços dizendo que foi ele o responsável pelo crime.
Chocado com a morte de Rita Dexter não consegue mais dissimular suas emoções o que acaba despertando a desconfiança de Quin (parceiro de Deb), que assim como Doakes tentará desmascará-lo.
O que virá nos próximos capítulos é uma incógnita, mas de uma coisa podemos ter certeza. Dexter é uma das séries mais viscerais dos últimos tempos...





 


Prêmios

 2006


AFI Awards — Programa de TV do Ano — Seleção Oficial.
IGN - Melhor Programa Nova
IGN - Melhor Ator - Michael C. Hall
IGN - Melhor Vilão - The Ice Truck Killer
IGN - Melhor Personagem - Dexter Morgan
Satellite Awards — Melhor Atriz Coadjuvante em Série — Julie Benz

2007


Emmy – Melhor Design de Título de Abertura
Emmy – Melhor Edição com Uma Câmera para Série Drama
IGN - Melhor Argumento
IGN - Melhor Programa de Televisão
Satellite Awards – Melhor Ator coadjuvante em série de TV – David Zayas
Satellite Awards – Melhor Ator em série Dramática – Michael C. Hall
Satellite Awards – Melhor Série Dramática
Saturn Awards – Melhor Ator em Série de TV – Michael C. Hall

 2010



Globo de Ouro - Melhor ator em série de drama - Michael C. Hall
Globo de Ouro - Melhor ator coadjuvante em série de televisão, minissérie ou filme feito para a TV - John Lithgow
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

OS MERCENÁRIOS





Os anos 80 e 90 estão de Volta...

Stallone é um cara esperto!!!
Depois de muito tempo no ostracismo e sem um grande sucesso de bilheteria  fez o que as maiores dos astros que precisam voltar aos holofotes fazem: reviver o passado.
No seu caso veio em Dose Dupla com "Rocky VI" e "Rambo IV".

Mas e depois disso o que ele faria?
Bom. O que ele fez apenas foi realizar o sonho de 11 em cada 10 adolescentes das décadas passadas.
Colocou os maiores astros do cinema de ação dos anos 80
 e 90 no mesmo filme e adicionou a isso os  "astros" do cinema de ação contemporâneo ou seja,  mesclou o "melhor" do passado e do presente. Uma grande sinfonia de destruição regida pelo mestre Stallone.





Stallone juntou nada menos que : Bruce Willis e Arnold Schwarzennegger (esses dois numa pequena e engraçada participação), Dolph Lundgren (eterno "astro" de segunda linha dos filmes de ação) Mickey Rourke (grande promessa dos anos 80 que afundou nas drogas e voltou a  evidência recentemente no filme "O Lutador") e adicionou a eles Jet Li (Astro chinês),  Jason Statham (da Franquia Carga Explosiva), Terry Chews (Todo Mundo Odeia o Chris) e mais alguns "ilsutres" participantes...

 Com certeza faltou o "astro" belga Jean Claude Van Damme que negou o pedido de Stallone dizendo que o personagem era sem conteúdo e só visava lucro. (O papel acabou ficando com Dolph Lundgren.)
Stallone  rebateu a acusação dizendo que ele não quis perder uma luta pra Jet Li.
Independente de qual versão seja a verdadeira fica a promessa da participação de Van Damme na sequência já prometida por Stallone.



Stallone é Barney Ross, o líder de um grupo de mercenários que são "convidados"  a participar de uma missão numa ilha chamada Vilena, localizada no Golfo do México, (As filmagens ocorreram no Brasil  e nos Estados Unidos)  para matar um ditador local, o General Garza ( David Zayas  - O  Hernandes da série "OZ" e detetive Batista em "Dexter").

Por trás do general está o seu financiador,o  ex-soldado da C.I.A James Monroe, o verdadeiro alvo (Eric Roberts - o famoso irmão drogado de Julia Roberts).O contato de Ross na ilha é Sandra, a bela atriz brasileira Gisele Itié (ex atriz global mais conhecida como Bela a Feia da Record -  Cléo Pires chegou a ser cogitada para o papel mas não foi liberada pela Globo.)



Ross decide então visitar a Ilha antes da missão para tomar conhecimento do local, mas precisa fugir  quando é descoberto pelas tropa do general Garza, deixando Sandra (filha do general) para trás. Sentindo-se culpado Ross decide voltar com seu grupo para ilha para cumprir a sua missão. Se cada ator nos seus respectivos  filmes já eram o exército de um homem só,  não precisa dizer que juntos não economizam tiros e explosões num grande viagem nostálgica aos velhos filmes de ação dos anos 80.

   


O Filme foi marcado por alguns declarações polêmicas de Stallone que "poderia explodir o país inteiro e ainda assim ganharia um macaco de presente dos brasileiros", mas isso não impediu que o filme ficasse em primeiro lugar já na estréia  na bilheteria americana e fosse bem também no Brasil. Não esperem um roteiro fascinante cheio de diálogos inspirados, atuações marcantes e reviravoltas surpreendentes.  "Os Mercenários" é o típico filme de ação que consagrou cada um dos atores convidados e principalmente o mestre de toda a trupe: Sylvester Stallone.
NOTA: 6,5

Direção: Sylvester Stallone
Roteiro:Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Eric Roberts, Gisele Itié, Tom Berenger
Fotografia:Jeffrey L. Kimball
Música:Brian Tyler
Figurino:Lizz Wolf
Edição:Ken Blackwell e Paul Harb
Efeitos especiais:Sergio Farjalla Jr. e Andy Weder
Produção:Kevin King, Avi Lerner, Kevin King Templeton, John Thompson e Les Weldon
Estúdio:Millennium Films, Nu Image Films, Rogue Marble
Distribuidora:Lionsgate, California Filmes
Duração: 101 minutos
País: Estados Unidos
Ano: 2010
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS


O Amor e suas armadilhas...

Sou fã confesso do Cinema nacional e volta e meia surge uma pérola que só faz reforçar minha devoção pelo mesmo e "Histórias de amor duram apenas 90 minutos" para mim é uma grata ( e lapidada) surpresa.
Confesso que pelo título não me empolguei tanto, achei que era mais uma comédia romântica água com açucar, mas com Caio Blat no elenco resolvi dar uma conferida.
Aliás, Caio Blat  junto com Matheus Nachtergaele são os atores mais corajosos do cinema nacional. Suas carreiras no cinema seguem em total contra-ponto a carreira na TV.
Muitas vezes acho que a da Tv se encerraria devido as cenas protagonizadas pelos mesmos no cinema . No caso de Caio Blatt nos fortes "Cama de Gato" e "Baixio das Bestas" (com Nachtergaele também no elenco).

 

Quando li a sinopse me identifiquei de cara com o personagem (guardada as devidas proporções).
Zeca é um homem de 30 anos que vive a base da herança da mãe. Apesar da idade é tído como um homem de atitudes adolescentes.
Almeja se tornar escritor, mas não consegue passar da página 50 de seu famigerado e prodigioso livro, para tristeza de seu pai (Daniel Dantas) , um viúvo solitário que após a morte da mulher se refugiou nos livros e via no filho a chance de realizar um sonho para o qual nunca teve o mínimo talento.

 

Zeca é casado com Júlia (Maria Ribeiro sua mulher na vida real) e seu casamento vai mal. Julia segundo ele parecia ter saído de um típico  filme francês: "linda, independente e ... fria, completamente fria".
Ele só pensa em sexo enquanto ela só pensa nos seus estudos.
Passando o tempo entre as tentativas mal sucedidas de fazer sexo com sua mulher e terminar seu livro Zeca vive em total  marasmo até descobrir que pode estar sendo traído ,e o pior, com uma outra mulher, a caliente Carol ( a belíssima atriz argentina Luz Cipriota)

Chocado e humilhado com a bombástica revelação Zeca decide se aproximar de sua rival, numa tentativa segundo ele "obcecada de entender de  maneira desesperada o seu oponente e estabelecer comparações e aceitar aquilo que é inaceitável: ser trocado por outro(a), mas acaba se apaixonando por ela, gerando um engraçado e curioso triângulo amoroso como há muito tempo não se via no cinema nacional.




"Histórias de amor duram apenas 90 minutos" é um filme engraçado e despretensioso, com ótimos personagens e inspiradíssimos diálogos .
 O diretor e roteirista Paulo Halm acerta a mão no seu longa de estréia (e roteirizou "Quem matou Pixote" , "Dois perdidos numa noite seuja" entre outros...) , apostando na leveza e sutileza de situações imprevisíveis e de personagens que fogem do lugar comum e caricatos, muitas vezes nos dando a sensação  de estar sendo um observador de personagens reais, de carne e osso.


Histórias de amor duram apenas 90 minutos, mas o sorriso indisfarçável no seu rosto vai durar bem mais que isso ao subir dos letreiros...




NOTA:9,0


Direção: Paulo Halm
Roteiro: Paulo Halm
Elenco: Caio Blat, Maria Ribeiro, Luz Cipriota, Daniel Dantas, Lucia Bronstein
Fotografia: Nonato Estrela
Montagem: Luis Guimaraes de Castro
Música: Andre Moraes
País: Brasil / Argentina
Ano: 2009
Duração: 90min








FILME COMPLETO

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domingo, 15 de agosto de 2010

ENTREVISTA CHRISTOPHER NOLAN

Nolan em Entrevista sobre seu novo "clássico"

Chegou aos cinemas nacionais o novo e esperado filme do diretor Christopher Nolan (Batman Beggins, Batman cavaleiro das Trevas, O Grande Truque e Amnésia) "A Origem". Filme ja fadado por alguns a obra prima. Anualmente acontece em Las Vegas a ShoWest, feira para exibidores de cinema da América do Norte.Christopher Nolan e a produtora Emma Thoams falaram sobre o filme. Confiram a entrevista que saiu no site Omelete.com.
Em breve "A Origem" será comentado aqui no CINEMOVIES...






Acho que falo por todos quando digo obrigado por nos mostrar trechos do filme hoje.
Christopher Nolan: Ah, obrigado por vir assistir.
Emma Thomas: Nós achamos que já era hora.
CN: Hora de mostrar alguma coisa, sim.

Você manteve esse filme sob um manto de muito mistério. Mas mesmo assim precisa falar sobre ele para promover o filme, já que existe um custo muito alto de produção. Você poderia falar um pouco sobre essa dinâmica? 
CN: Sim, claro. Eu estava justamente falando sobre isso lá dentro, mas eu realmente acredito que para mim as experiências cinematográficas mais gratificantes, como espectador, foram em filmes em que eu não sabia o que esperar. Isso desde que assisti ao primeiro Star Wars quando ainda era criança, em 1977. Meu tio me disse para assistir e que eu provavelmente iria gostar, mas eu nem sabia nada sobre o filme. Me lembro de olhar o pôster e os personagens e não saber nada específico sobre eles. E aí o filme me levou numa jornada incrível. Eu acho que filmes como Avatar, quando você senta e não sabe bem o que esperar, são os tipos de cinema mais empolgantes. São um enorme desafio, do ponto de vista do marketing, porque você precisa dar às pessoas o suficiente, uma razão para ir ao cinema assistir ao filme. Então estamos realmente tentando encontrar um equilíbrio e não aprisionar o filme em mistério ou algo assim. A melhor maneira de explicar o que é A Origem é assistir ao filme e entendê-lo e, espero, que realmente gostem dele. Falar sobre ele é meio complicado. 

Imagino que você teve longas conversas com seus atores, especialmente Leonardo Di Caprio, sobre o conceito do filme, para que vocês todos estivessem alinhados quanto aos sonhos e o que pode ser feito...
CN: Sim, com certeza. Conversava com Leo desde o começo, porque ele foi o primeiro a entrar no projeto. E ele é um ator que é absolutamente exigente em suas demandas, para dar autenticidade ao personagem. A verdade sobre o que ele fala, as verdades subliminares do personagem, as verdades emocionais, a jornada daquele personagem. E assim passamos meses falando sobre o roteiro e reescrevendo. Eu passei muito tempo retocando o script para ter certeza de que a jornada emocional do personagem era a força motriz do filme. Essa é a jornada que a plateia vai acompanhar e ele, como um ótimo ator com carisma e abertura emocional, conduz a plateia nessa jornada.
Você poderia falar um pouco sobre o IMAX e o 3-D? Você realmente foi pioneiro com o que o IMAX poderia fazer pelo Cavaleiro das Trevas, e o 3-D parece ser a revolução e está mudando tudo. Você poderia falar o que você acha sobre o 3-D e também sobre o IMAX? Você filmou Inception em IMAX ou foi tudo feito na pós-produção?
CN: Filmamos a maior parte do filme, o grosso, com película 35mm anamórfico, que é a melhor qualidade e o formato mais prático de todos para filmar. Filmamos algumas sequências-chave em 65mm. Então temos um rolo de negativo que é da maior qualidade possível, abaixo do IMAX. Nós achamos que não poderíamos filmar em IMAX por causa do tamanho das câmeras. Uma vez que este filme lida com um aspecto surreal, que são os sonhos, eu queria que fosse o mais realista possível. Não queria ficar preso ao tamanho daquelas câmeras IMAX, apesar de amar o formato. Então, optamos pela coisa mais próxima disso, que é o 65 mm. Então temos a mais alta qualidade de imagem de qualquer filme que está sendo feito e que também nos permite reformatar o filme para o formato de qualquer distribuidor. Nós com certeza vamos fazer um lançamento em IMAX. Nós estamos empolgados em fazer isso e vamos usar nossos negativos originais em 65 mm para potencializar esse lançamento. Sobre o 3-D, eu acho que é um desenvolvimento interessante. É algo que estamos analisando e assistindo. Existem limitações para filmar em 3-D. Você precisa filmar em vídeo, algo que não sou muito fã. Eu gosto de filmar em película. E então você tem os processos de pós-conversão que estão avançando de maneira muito interessante. Então, para mim, a produção de um filme de grande porte é realmente uma questão de filmar da melhor maneira, com imagem da melhor qualidade possível, para que você possa levar o filme ao cinema da melhor maneira possível. E película 65 mm, película IMAX, VistaVision, 35 mm, esse é o jeito de se fazer isso.


Eu ouvi falar que você está trabalhando nesse filme há 13 anos?
CN: Eu digo o roteiro, especificamente. Trabalhei nele durante 10 anos, 9 ou 10 anos, não me lembro exatamente.
Por quê? É pela complexidade ou por que você teve outros projetos no meio?
CN: Bom, eu com certeza me mantive ocupado durante esse tempo. Acho que eu levei o projeto para o estúdio logo depois de filmar Insônia. E eles ficaram muito animados com minha ideia, mas percebi que não estava pronto para desenvolvê-lo. Não estava pronto para escrever esse filme, naquele momento. Eu acho que nos últimos 10 anos ele ficou na minha cabeça como conceito e como estrutura de narrativa. Mas eu acho que eu não sabia como me relacionar com ele, do ponto de vista emocional. Eu não sabia como terminar o roteiro de maneira emocionante. Eu acho que eu meio que cresci no projeto, de certa maneira, e acho que a entrada do Leo realmente foi o fim desse processo para mim, porque a atenção dele à vida emocional do personagem e o que isso deveria significar para a plateia me fez pensar que eu finalmente encontrei aquela conexão emocional com o material, da qual eu dependia como cineasta. Porque o que eu aprendi sobre mim mesmo nesses anos é que se eu não me comprometer com algo nesse nível, eu nunca conseguirei sustentar meu interesse por ele durante os dois anos necessários para desenvolver o filme.
         E da onde veio essa ideia de roubar uma ideia?
CN: Bom, eu a roubei. É meio arriscado sair por aí roubando ideias, claro. Foi o resultado de... Não me lembro especificamente de onde surgiu essa ideia, mas veio quando eu comecei a explorar o conceito de pessoas dividindo o mesmo espaço em sonhos - entrando e dividindo o mesmo sonho. Isso te dá a possibilidade de acessar o subconsciente de alguém. E como isso poderia ser usado, ou usurpado? Esse foi o ponto de partida. E, claramente, poder extrair informações do cérebro de alguém seria o uso óbvio disso. Com qualquer outro sistema, seja computadores ou mídia física ou o que seja, todos eles podem ser roubados. Até esse momento - ou até esse filme - eu diria, a ideia de que você pode realmente roubar algo de dentro da cabeça de outra pessoa era impossível. Então isso, para mim, parecia uma deturpação fascinante dessa tecnologia.


Emma, você poderia falar sobre como é produzir este projeto, em especial? Como Christopher Nolan mudou durante esses últimos anos - se é que mudou?
ET: Não muito, eu diria. Nós nos conhecemos quando eu tinha 18 anos e o Chris tinha 19. E ele sabia naquela altura, já desde os 10 anos de idade, que ele queria dirigir filmes. Então ele teve uma ambição muito singular. Eu diria que ele não mudou drasticamente, exceto pelo fato de que está certo em dizer que cresceu dentro deste projeto. Basicamente todos os outros filmes que ele fez durante os anos anteriores foram o que este filme é agora. Nós fizemos muitas das coisas que não podíamos fazer nos filmes do Batman, pelas limitações de materiais, ou que seja. E muitas coisas que nós aprendemos a fazer.
Vocês decidem alguma coisa quando estão no set ou já está tudo decidido na pré-produção e pré-visualização e coisas assim?
ET: Normalmente não fazemos muita pré-visualização, mas nossa abordagem é estarmos preparados para qualquer eventualidade para que, quando Chris estiver com os atores no set, eles tenham a liberdade de improvisar, até certo ponto.
CN: É, você tenta ter um plano e um detalhamento para uma cena em uma locação específica, para que todos saibam o que está rolando. Mas aí você tenta trabalhar com pessoas que possam construir esses detalhes com você e tenham a habilidade de ser espontâneo, flexível. Não usamos nada de pré-visualização. Usamos um pouco de storyboard. Pré-visualização de efeitos especiais, e só. E até isso eu acho que tem utilidade limitada, sinceramente. Você consegue construir uma ordem do dia de produção, que é o que Emma consegue fazer juntamente com os chefes dos departamentos com os quais trabalhamos. Já trabalhamos com eles antes, então eles confiam na gente e conseguem funcionar dentro desse modus-operanti, sabe, de simplesmente chegar no set sem saber exatamente o que vai rolar. O que aprendemos em produções de pequeno porte é deixar que os atores definam isso, e aí você conduz a cena com base no que eles disseram. E parece um grande desperdício perder isso quando está rodando um filme maior. Com certeza em Batman Begins, por ser o primeiro filme grande que montamos, tudo tinha que ser feito de maneira muito precisa. E depois dessa experiência conversei com as pessoas do estúdio sobre tentar manter mais da experiência que adquirimos em projetos pequenos nos grandes - deixar que os atores e os personagens conduzam o processo de produção. Acho que todas as pessoas com quem estávamos trabalhando nesse filme realmente abraçaram essa ideia.


Você fez uma série de filmes sombrios e complexos. Você tem algum desejo de fazer algo mais leve?
CN: Não sei, na verdade. Eu realmente não penso os filmes numa oposição entre leve e sombrio. Fico surpreso, especialmente com os dois filmes do Batman, que as pessoas achem que eles têm um tom sombrio. Para mim eles, na verdade, são muito otimistas e estão realmente cheios de coisas que, eu acho, são emocionalmente positivas, tanto quanto há coisas negativas. E acho que o equilíbro entre negativo e positivo é algo que eu realmente busco numa história. Eu acho que A Origem está fundamentado em emoções humanas que são extremamente positivas. Esse equilíbrio entre luz e sombra é algo que me interessa muito numa história, mas acho que nunca defini o que seria esse equilíbrio na minha cabeça. É simplesmente a maneira que eu reajo às coisas, emocionalmente.
Você pode falar sobre como foi trabalhar com o Ken Watanabe?
CN: Foi incrível trabalhar com o Ken novamente. Tive uma ótima experiência em Batman Begins e escrevi o papel já com ele em mente, conforme fui terminando o roteiro. E tem sido maravilhoso trabalhar com Ken, ele tem um talento incrível e muito carisma. Ele é uma ótima pessoa para se ter por perto.
Como é para vocês ter, em essência, a chave do reino na Warner Bros.? Porque vocês parecem conseguir fazer os filmes que querem fazer, além de outras coisas que nem vou entrar em detalhes. Como é estar nessa posição?
CN: Bom, acho que nunca sentimos que estávamos nessa posição. Quer dizer, sempre estivemos desde que fizemos Insônia com eles. Sempre tivemos uma experiência muito positiva com aquele pessoal, eles sempre foram colaboradores muito justos e consistentes. Incentivadores e desafiadores. Sabe, tem sido uma colaboração genuína, nunca tivemos uma situação em que eles disseram "vai lá e faz o que quiser". Eles são muito rígidos com os padrões com que vamos fazer um filme - do jeito que devem ser, porque o dinheiro é deles. É o nome deles na frente do filme, então são colaboradores muito próximos da gente, nesse sentido. E eu não diria que com nosso sucesso passaram a nos tratar de um jeito diferente do que quando começamos. Isso é justamente uma coisa que gosto muito neles. 

Site Omelete

 
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